Após governo elevar meta de economia, especialistas descartam "mordida" maior no bolso do consumidor
Arrecadação caminha em ritmo superior ao dos gastos, o que gera “gordurinha” ao Estado
O governo brasileiro anunciou na segunda-feira (29) o aumento da meta do superávit primário - economia que o governo faz para pagar juros da dívida - em R$ 10 bilhões em 2011. Se você faz parte da ala pessimista que já esperava por uma elevação ou criação de imposto para chegar ao alvo, fique tranquilo: você não sentirá o impacto diretamente no bolso por causa dos tributos.
O professor de economia do Ibmec/Rio Mauro Rochlin afirma que “essa ideia de que o governo vai aumentar impostos e morder mais o bolso do consumidor não é possível”. O governo só conseguiu elevar a meta do superávit primário porque a arrecadação de impostos só acelera, enquanto os gastos públicos estão em velocidade de cruzeiro. Esse desempenho gera uma “gordurinha”, segundo Rochlin.
- O governo já vem economizando um valor acima do que ele tinha como meta de superávit primário. O governo tinha uma meta que correspondia a 3% do PIB [Produto Interno Bruto, que é a soma de riquezas do país] como superávit primário e já vem acumulando em torno de 3,8% [do PIB]. Ou seja, está acumulando um valor superior ao que era necessário em cima da meta que ele mesmo estabeleceu.
O presidente do IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário), João Elói Olenike, lembra que os governos municipal, estadual e federal arrecadaram R$ 1,27 trilhão em impostos e esse valor deverá subir cerca de 16% este ano, o que deve gerar uma “tributação recorde”.
- O governo não pode se queixar da falta de caixa em menção ao recolhimento de tributos. Não se pode aumentar a tributação, que já é elevadíssima, por conta dessa razão [do aumento do superávit primário]. A nossa previsão é de o governo venha a arrecadar R$ 1,5 trilhão em 2011, contando as três esferas. É dinheiro mais que suficiente para suprir os gastos do governo.
Além da arrecadação tradicional de tributos, as receitas extrajudiciais do governo também ajudam a conquistar essa “gordura” nas contas públicas, o que permite a elevação da meta de superávit primário, segundo Rochlin. - As receitas extraordinárias, ou seja, que não são correntes, também favorecem. A Vale perdeu uma ação judicial, pagou quase R$ 5 bilhões no mês passado e ajudou o resultado do mês de julho.
Impacto negativo
O professor do Ibmec explica que o aumento do alvo do superávit primário pode ter um efeito negativo sobre a produção e o trabalhador brasileiros.
- O primeiro efeito é um consumo menor em termos gerais, porque o governo é um grande consumidor. Quando ele diz que vai melhorar o superávit primário, em termos líquidos, ele vai gastar menos. Isso vai reduzir um pouco o consumo, o que, por um lado, não é bom, porque menos aquecimento representa menos atividade econômica e menos emprego.
Por outro lado, a medida pode ser benéfica no futuro, já que a medida serve também para o governo desaquecer o consumo da população, o que reduz a pressão sobre os preços e gera um controle maior da inflação, explica Rochlin.
- Ele entende que, se fizer isso, vai abrir espaço para queda da taxa de juros. Ou seja, se torna menos problemático reduzir juros com a redução do consumo.
Nesta segunda-feira, o ministério da Fazenda anunciou um aumento da meta de superávit primário para 2011 de R$ 117,8 bilhões para R$ 127,8 bilhões. O reajuste nas contas públicas representa uma proteção contra a crise financeira mundial.
Fonte : R7
O professor de economia do Ibmec/Rio Mauro Rochlin afirma que “essa ideia de que o governo vai aumentar impostos e morder mais o bolso do consumidor não é possível”. O governo só conseguiu elevar a meta do superávit primário porque a arrecadação de impostos só acelera, enquanto os gastos públicos estão em velocidade de cruzeiro. Esse desempenho gera uma “gordurinha”, segundo Rochlin.
- O governo já vem economizando um valor acima do que ele tinha como meta de superávit primário. O governo tinha uma meta que correspondia a 3% do PIB [Produto Interno Bruto, que é a soma de riquezas do país] como superávit primário e já vem acumulando em torno de 3,8% [do PIB]. Ou seja, está acumulando um valor superior ao que era necessário em cima da meta que ele mesmo estabeleceu.
O presidente do IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário), João Elói Olenike, lembra que os governos municipal, estadual e federal arrecadaram R$ 1,27 trilhão em impostos e esse valor deverá subir cerca de 16% este ano, o que deve gerar uma “tributação recorde”.
- O governo não pode se queixar da falta de caixa em menção ao recolhimento de tributos. Não se pode aumentar a tributação, que já é elevadíssima, por conta dessa razão [do aumento do superávit primário]. A nossa previsão é de o governo venha a arrecadar R$ 1,5 trilhão em 2011, contando as três esferas. É dinheiro mais que suficiente para suprir os gastos do governo.
Além da arrecadação tradicional de tributos, as receitas extrajudiciais do governo também ajudam a conquistar essa “gordura” nas contas públicas, o que permite a elevação da meta de superávit primário, segundo Rochlin. - As receitas extraordinárias, ou seja, que não são correntes, também favorecem. A Vale perdeu uma ação judicial, pagou quase R$ 5 bilhões no mês passado e ajudou o resultado do mês de julho.
Impacto negativo
O professor do Ibmec explica que o aumento do alvo do superávit primário pode ter um efeito negativo sobre a produção e o trabalhador brasileiros.
- O primeiro efeito é um consumo menor em termos gerais, porque o governo é um grande consumidor. Quando ele diz que vai melhorar o superávit primário, em termos líquidos, ele vai gastar menos. Isso vai reduzir um pouco o consumo, o que, por um lado, não é bom, porque menos aquecimento representa menos atividade econômica e menos emprego.
Por outro lado, a medida pode ser benéfica no futuro, já que a medida serve também para o governo desaquecer o consumo da população, o que reduz a pressão sobre os preços e gera um controle maior da inflação, explica Rochlin.
- Ele entende que, se fizer isso, vai abrir espaço para queda da taxa de juros. Ou seja, se torna menos problemático reduzir juros com a redução do consumo.
Nesta segunda-feira, o ministério da Fazenda anunciou um aumento da meta de superávit primário para 2011 de R$ 117,8 bilhões para R$ 127,8 bilhões. O reajuste nas contas públicas representa uma proteção contra a crise financeira mundial.
Fonte : R7
TV Repórter, volta segunda
Charles Douglas
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